Horas depois do fecho das urnas já tudo se sabe, e daí nem tudo...
O PS ganhou as eleições segundo Sócrates, o PSD ganhou segundo Manuela. Os comentadores (eu vi na RTP1) confirmam que o PS ganhou, e que o PSD ganhou. Esta é outra das coisas que me atormentam em tempos de eleições. Toda a gente (comentadores residentes da RTP incluídos) nesta conversa inútil de medir pilas...
Cada vitória e cada derrota (eu prefiro chamar-lhes resultados, escolhas) de hoje são simplesmente locais. Os votantes todos somadinhos a um total nacional são meramente estatística. O total de câmaras ou freguesias 'conquistadas' bem somadinho, é apenas um pouco mais que estatística, uma vez que daqui ainda saem dois presidentes de associações nacionais. De resto, cada município e cada freguesia tem os seus autarcas escolhidos, e agora, sejam do PS, PSD, CDU, PP, BE ou independentes, sejam homens ou mulheres (outro exercício estatístico inútil) sejam íntegros ou suspeitos do contrário vão começar a trabalhar no bom caminho. Pelo menos assim se espera, não é?
Dos discursos de vitória ou derrota pouco mais se aproveita... Quase todos falaram muito (tempo) e disseram pouco. Talvez por achar que Sócrates já não dizia nada de jeito a dada altura, Manela decide começar a falar, interrompendo-o na fase das perguntas dos jornalistas. No discurso dele pouco se aproveitou... As semelhanças com o Guterres da mesma fase são incríveis... a maioria recentemente obtida, a situação previsível de governo difícil, o débito exaustivo de números e números, de factos e certezas, que pretendem confirmar o que se diz e na verdade não confirmam nada a não ser confusão... Só o estilo diverge. Guterres ganhava em humildade, a meu ver, Socrátes ganha em 'eu é que sei' ou aliás, em 'eu já sabia'. Mas falava eu da actual líder do PSD que interrompeu... e que por não estar a dizer nada de muito importante, foi interrompida pelo eleito para a câmara de Lisboa, que começou por não dizer nada de interessante e acabou a mandar duas bocas foleiras, de mau gosto e que só lhe ficam mal, ao gajo que disputou a autarquia com ele e que um pouco antes tinha feito a intervenção (a meu ver) mais completa e correcta da noite. Santana, esse sim perde, mas sabe o que diz. Admite a derrota, não sendo uma derrota pesada. E a seguir foi ele próprio. Deu uma lição de democracia, de ciência política e de humildade, e talvez por isso não foi interrompido. Ainda falando de Lisboa, lembro-me de socialistas a dizer que era uma cadidatura do partido, mas não era do partido, ou não era apenas do partido, que quem soube unir venceu, que quem não uniu perdeu... Temos assim uma coligação de 4 partidos liderada por Santana e eles dizem que não há união... e uma almágama não sei de quê liderada por Costa... Mas o PS é que uniu? Tretas à parte, uniu, vá. O PS aprendeu com o erro cometido com Alegre nas presidenciais e não o cometeu em Lisboa. Mais uns pozinhos de um outro amigo que mudou de camisola e de umas sondagens claramente certeiras, e pronto.
E agora a paz... depois de 3 sufrágios, ou escrutínios no mesmo ano. É muita palavra esdrúxula e estranha no mesmo ano. Porque a democracia é boa mas não tem apenas vantagens. É apenas, de todos, o sistema 'menos mau'.